A paternidade aos meus olhos e aos pés dela – 6 meses depois

A paternidade aos meus olhos e aos pés dela – 6 meses depois

São tempos áureos estes que vivo desde que fui pai. (Ah até que enfim. Sempre sonhei começar uma dissertação desta índole pela expressão: “são tempos áureos”. Que maravilha.)
A imensidão da felicidade que atravessa por completo o espectro da minha existência torna-se cada vez mais difícil de contar, de partilhar, de desconstruir, de conversar sobre. Isto por si só não constitui qualquer problema, uma vez que gosto particularmente de coisas difíceis, complicadas, complexas.
Mas há, creio eu, uma explicação (não sei se entendível ou não) para tudo isto que é muito. É tanto. Se é.
Creio que a dificuldade a que me refiro possa estar ligada ao facto de me sentir acometido de uma espécie de necessidade totalitarista e egoísta de reter absoluta e absurdamente tudo o que vivo com a minha filha. Isto é, há uma necessidade bastante pronunciada de devorar e absorver todos os momentos, os cheiros (até os piores, sim…), os sorrisos, os sons, os gestos, os olhares, os toques, as brincadeiras, as aprendizagens, o crescimento, TUDO. Invariavelmente.
Só para mim. Só para nós.
Dizia eu que a vontade que tenho é de deixar fugir mesmo muito pouco ou quase nada. Porquê? Sei lá eu. É o que sinto. Ponto. Não há grande lógica por trás de uma coisa destas, é certo, mas isto faz parte da vida pensada a que Fernando Pessoa se referia. Na prática, nada disto é assim.

No entanto, e voltando à minha vontade, por é que disso que este exercício trata, é exactamente aquilo que disse acima. Apetece-me guardar e viver tudo. Às vezes apetece muito. Mas depois acalma-se a coisa.

Afinal de contas, tudo isto é perfeitamente compreensível, pelo menos na minha modesta e isentíssima opinião, uma vez que se trata da minha filha, caramba. É a minha primeira filha. Compreendem? Talvez não. Mas também pouco importa.

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Deus sabe (digo eu) que esta brincadeira de ser pai pela primeira vez, ainda para mais de uma menina, muda a forma como um homem passa a olhar de frente para as fuças da vida.
É sim, é a preciosidade maior que tenho nesta fugaz existência.
É sim, tremenda, a sensação de absurda felicidade que me invade os olhos, para depois me percorrer alegremente as veias e chegar a todos os recantos do meu 1,80m.

Mais ninguém neste planeta rasga os olhos de alegria e abre a boca num sorriso puro de felicidade sempre que me vê chegar a casa do trabalho, nem mesmo a minha querida e adorada esposa ainda mantém intacta esta alegria pura e desinteressada.
Passaram-se horas desde que me viu pela última vez, que, regra geral, é sempre antes de adormecer novamente, já no finalzinho da madrugada, de novo deitada, dizendo-me em surdina que me ama e que é a minha menina, a minha princesa adorada e tão desejada.

Não têm preço as entradas em casa quando ela está acordada.

Os segundos em que o tempo congela (não estou a falar do #MannequinChallenge) são segundos em que toda a vida que te invade as artérias parece estacar-se ali mesmo, diante de ti, naquele mesmo tapete redondo, amarelo mostrada, de pelo curto, agradavelmente disposto à entrada, para nos dar as boas vindas. E ali me planto, por baixo da ombreira da porta da sala, numa sucessão aparentemente furtuita de segundos tão absolutamente perfeitos que chego mesmo a esquecer-me da loucura do mundo em que vivemos e me foco unicamente no sopro de vida que enche os meus olhos e pelo qual sou e serei eternamente responsável.
Ser jornalista tem destas coisas. Vemos demasiado. Vemos bem mais do que aquilo que queríamos ver. Chegamos a casa, não poucas vezes, com a cabeça atafulhada de imagens estúpidas que contam e mostram o que de pior acontece no país e no mundo. Mas tudo isso parece esfumar-se quando chego à porta da sala, da cozinha, do teu quarto, e me deixo apanhar por aqueles segundos intermináveis em que a minha filha pára imediatamente o que está a fazer e fica também ela a olhar para mim.
Começa a sorrir de cima para baixo: rasgam-se e acocoram-se-lhe os olhos ao mesmo tempo que se enchem de uma luz que impressiona, sobretudo pela candura da idade. De seguida, não logo mas pouco depois, abre-se-lhe o sorriso, – Meu Deus, como é perfeita toda esta valsa – agitam-se as mãos e as pernas, pinta a cara com um pouco da cor que a vergonha já vai trazendo aos bebés desta idade e ali fica, à espera que largue tudo, que poise a mochila, tire o casaco, lave as mãos e por fim a pegue ao colo.

Depois, com as duas mãos, agarra-me cada uma das faces, sorri, esfrega a cara no meu peito, volta a levantar a cabeça como que a querer certificar-se de que sou mesmo eu que estou na frente dos seus olhos enormes, sempre muito abertos, a querer dar fé de tudo o que a circunda e envolve, e repete o gesto, como repete o sorriso. Com aquele felicidade estampada no rosto. Aquela felicidade que a inocência e o pouco que sabe da vida lhes confere. Ser feliz é uma missão e dá trabalho. Calma, filha. Um dia falar-te-emos de tudo isso.

Não tem explicação plausível, ou, pelo menos, ainda não lhe encontrei o poiso, à explicação, entenda-se, que a este amor que sinto, para ele, tenho explicações de sobra, ainda que não estejam devidamente arrumadas e fechadas nos seus devidos lugares. É somo se soubesse que o sei, mas não soubesse como faço para o saber na verdade. Sei que sinto, mas não sei como definir objectivamente o que sinto. Conclusão: não há objectividade possível num amor tão tremendo e arrebatador, num sentimento tão sanguíneo, tão vulcânico, tão avassalador.

Assim sendo, resta-me por enquanto prosseguir com esta embriaguez saudável e sem ressaca que as sensações que experimento diariamente, às mãos de uma bebé de 6 meses, tão perfeitamente perfeita, tão lindamente linda, me têm proporcionado.
Bebedeiras tão deliciosamente boas estas. Sem vidros partidos. Sem discussões. Sem confusões. Caramba filha, que é tudo tão maravilhoso quando estou contigo.

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Olho para ela e vejo-a assim, tão assutadoramente indefesa e a precisar de todo o amor que tivermos para lhe dar, sem qualquer tipo de reserva, sem qualquer laivo de frustração ou do que quer que seja que não um princípio basilar de amor total, de entrega plena, de imersão no mundo em que vive e que ainda é tão diferente daquele em que vivemos nós.

Não sei ser de outra forma. Não sei amar-te de outra forma que não esta, minha querida e adorada filha. Luz que dá cor ao meu rosto. Brilho no meu olhar. Vida que traz vida a cada novo acordar. Seja a que horas for… (sim, mesmo quando acordas pela madrugada dentro e queres conversar)
Não cabe sequer em mim nada mais que não o amor e a dedicação completa a esta família que escolhi, que criei, que jurei proteger e defender de tudo o que possa tentar ameaçá-la.
Não queria outra vida. Não queria nada mais do que aquilo que tenho agora. Queria apenas que tudo isto durasse para sempre. Que a felicidade não tivesse de ser interrompida, aqui e ali pelas obrigatórias e incontornáveis obrigações a que nós, os “crescidos” não conseguimos, invariavelmente, fugir.

Ser pai muda tudo. Ser pai deita por terra todos os teus proto-conceitos de vida, de realidade, de inteligência, de sensibilidade, de humanidade. Ser pai é para sempre. Não há meios-pais, como não há meis-filhos. Ser pai é ter a noção de que vais falhar, vais errar, vais chorar, vais rir, vais consentir e vais negar, mas mais do que qualquer outra coisa. Ser pai é encaminhar, é acompanhar, é a mão que se ergue do alto quando eles olham para cima e procuram a segurança inabalável que lhes traz o nosso olhar, a nossa mão que os ajuda a caminhar. Quero isto tudo e ser o dobro do que aqui não digo.

Não, não me esqueço de como começou este artigo.
Um dia, mais tarde, saberei que foi justa e justificada a vontade de te ter sempre comigo.

Pai.

 

Contraste(s)

Contaste – Diferença profunda entre coisas e pessoas; oposição.

medoAcorda.
São 9:00 e chove copiosamente. Descaradamente copiada de todos os outros dias com chuva. Contraste.
A chuva perdeu a vergonha e contrastou com a vergonha dos meus olhos amedrontados e desconfiados.
Primeira vez, não, segunda vez, assim é que é. Segunda vez e a segunda de tantas outra vezes que ainda estão para chegar. Contraste.
10h00 e vamos lá a espetar a primeira agulhinha no bracinho. Não custa. Não dói. Mas pica. Corredor e mais uns metros.
As pessoas doentes ficam mais chatas? Contrastam com a falta de paciência que reina numa sala de espera. Quem espera sempre alcança, certo?
Senha. Admissão. Espera. Paciencia. Bate bate coração. Não gosto disto, não gosto mesmo, não gosto nada desta saga não encomendada.
– Já alguma vez fez este tipo de exames?
– Com contraste? Já.
Contrasta igualmente a confiança. A tua, claro está, absolutamente inabalável, pelo menos na parecença.
Pareces efectivamente feita de uma fibra que não existe nos materiais com que se fazem os outros homens, as outras mulheres, as outras companheiras e acompanhantes que acompanham, com força, com fibra, com coragem, sem contraste.
Preocupada comigo. Com o meu nervoso que já vai tendo pouco de miudinho e muito de crescido.
O nervoso dos crescidos é diferente do nervoso das crianças. Tem o dobro da dose da irracionalidade e da irreflexão, mas tem metade da razão e sobretudo tem a incapacidade absoluta de alcançar a calma que se lhe exige, no fundo, mais um pedaço de irreflexão que se liga ao tremor da mão e ao bater acagassado do coração. Contraste. Contrasta, se constrasta.
– Vai beber isto… 1 copo a cada 10 minutos. (Tenho de aviar isto de penálti que esta merda sabe mal que nem te conto)
Esbugalhaste ligeiramente os olhos quando me viste mandar abaixo o primeiro de 5 copos de groselha desenxabida, que mais parece uma mixórdia de frutos silvestres com detergente de limpar soalho.
Disse-te que só assim é que dá para beber aquela porcaria. Saberá a quê a água da bacia?
2º copo e viro a página. Mário Vargas Llosa (des)encoraja quem quer escrever, ser escritor. Leio mais e mais e digo-lhe:
– Continue por favor.
“Todos os grandes, os admiráveis romancistas foram, a princípio, escritores aprendizes cujo talento se foi gerando à base de constância e convicção.”
– Obrigado Vargas Llosa, continua a ser um prazer.
3º copo e começa a percorrer-me a vontade inegável e irrecusável de urinar. Pudera. A virar copos de aguadilha desta forma nem com uma fralda me safava.
Mais uma página, mais uma festinha, um beijinho, obrigado meu amor. As tuas palavras surdas em jeito de beijinhos de um mimo e de um carinho inqualificáveis pregam-me sossegado na cadeira de pau que de santo não tem nada.
Olho pouco em meu redor.
As pessoas que ali estão nao falam. Não querem falar. Não querem dizer porra nenhuma!
É chegar e… se desse… era chegar e virar!
Contraste. O contraste de uma sala muda e dos desenhos nas paredes, a spray, do Mosaik e de… do… do outro que agora não sei.
4º copo e só falta mais um. Para o almoço? Talvez feijão frade com atum.
E os 10 minutos que não passam e o pior que ainda está para vir. Mas, caramba… é assombroso o bem que sabe ver-te sorrir. O bem que sabe saber que não vais fugir, que dali não arredas pé, é tão bom não é?
5º copo e logo te apressas a levar o “balde” à “senhora”, estavas desejosa que entrasse e que se acabasse a tortura. E mal sabias tu que ainda me faltava espreitar mais outra abertura.
Entrada e a picadela da praxe. Braço esquerdo? E a veia? Espero que a ache. Nada. Ainda me diz que tenho a veia bailarina. Tem muita gracinha tem, a menina.
Posto o acesso e eu já possesso… mas tem de ser e o que tem de ser tem… muita força e a mim, não há quem me torça.
Contasta a alegria e simplicadade de quem trabalha com o desconforto e o olhar torto de quem ali calha. Não falha!
– Encha o peito de ar! Não respire… Pode respirar.
E a temperatura desata a aumentar. O corpo ferve e a alma treme de calor que não se gosta. É rápido. É estranho. E o desconforto tamanho que me passa pelos pés, me mói a cabeça e me mostra que a vida em revés tem mais do que se lhe diga. E há outra coisa melhor que o amor de uma vida?
Contraste.
Eu e tu. Eu digo tu ouves. Eu escrevo e tu lês. Eu sofro e tu também.
Às vezes é um pouco como o Pedro, apetece-me voltar para “os braços da minha mãe”.
Mas não sem ti. Que de tão oposta me trouxeste a vida à Costa. Que tão pura me mostras que o pouco que dura é melhor do que o tudo que voa, que me dizes que a vida contigo não pode ser senão… muito boa!
Contrastes. De vida. De luta. De crença absoluta que a vida lutada sabe bem melhor que a postura derrotada.
No fundo da vida leva-se ou pouco ou quase nada. Contrasta com a crónica da vida anunciada.
Custa muito?
Que nada.
Contrasta a noite com a crua beleza da alvorada e com a tua voz imaculada. Sim a tua, minha querida apaixonada que me passeia de mão dada de folha em folha de uma história iluminada.

Tira os pés do chão

Quietude incontinente que açambarca a vida da gente, em movimentos imperfeitos de tão belos que se apresentam aos olhos do homem.

Para que se sinta, é necessário querer, é necessário que se possa, acima de tudo, que o corpo queira e a mente arrisque a exposição desmedida, a revelação das fraquezas, tremores, suores e odores, cócegas, encantos e desamores, defeitos e pudores.
A vida mostra de que é feita e mostra-te o que tens de fazer.
São imagens, são.
Nítidas ou desfocadas, alegremente misturadas em salganhadas sensitivas de seres sofridos, amados, rejeitados, perdidos e desencontrados, que nos braços gelados de amores subitamente descobertos, confundem e trazem a dispersão da convicção prévia à sensação.
Quão difícil é por vezes querer tirar os pés do chão.
O querer assume por vezes contornos de dificuldade absurdos, de super proteccionismo do ser, de tentativa forçada de fuga ao inevitável.
E o que é o inevitável? 
O alcance da sensação mais pura da vivência entre seres humanos.
O Eu QUERO.
Quem ouse recriminar tal coisa, será por certo alvo de um atroz desenrolar de uma vida frívola, perdida nas margens do esquecimento da sensação física e da memória do que é o AMOR.
Quem não sabe é como quem não vê e pior do que não ver.. é não querer ver.
Aqui tenho de contraria claramente Caeiro, quando afirmou que pensar é estar doente dos olhos, para se querer é preciso conhecer o objecto do desejo, identificá-lo, senti-lo como parte de nós, desejando que essa mesma fusão seja o expoente máximo de uma vontade acicatada por olhares de ternura, sorrisos meigos e cúmplices, palavras que se colam às paredes como se de barro se tratassem, que se moldam e gravam, que não magoam nem estragam, que produzem efeito no efeito enfeitado do sentimento alcançado, não será nisso que se deve pensar, quando se sente o leve beijo da paixão iminente?
Diga quem sabe o que no momento se sente.
Fale quem conhece, o que de mais acontece, quando de Amor assim se padece, só o tem quem merece, já dizia o padre na sua prece.
E o país? Vai mudar? 
Se for a coisa que eu penso…
Não há vertigem maior que a de sofrer.
Não há loucura maior que a de amar.
Não creias que chegas sempre onde queres chegar,
Sem que para isso tenhas ao menos de sangrar.
Corres as ruas e vês o povo a sofrer,
Olhas de esguelha o pedinte que te fita a gemer,
Nas lojas não há mais quem consiga vender
E no pão, nada vês senão a côdea.
E quando arriscas na pobreza, safas-te com a esperteza,
Quando roubas para por no pão,
És corrido ao pontapé e ao estaladão
Não era um direito consagrado na “nossa” constituição?
Essa devia consagrar o direito à felicidade.
Quem é feliz produz mais.
Gosta mais de trabalhar.
De viver.
Traz bom ambiente ao local de trabalho.
Estão a ouvir senhores das decisões, dos contratos de milhões, dos subsídios e das viagens em aviões, do estado da Nação, do Estado e da Nação?
E dos cheiros vive parte do pensamento.
O cheiro que bem cheira, cheira tanto que quase não há mais odor, que quando deixa de cheirar o pensamento conhece de novo a dor.
É um cheiro que se cheira sem querer, é o cheiro que cheira e te faz parar o correr.
Poucas coisas cheiram tão bem assim.
A mulher consegue misturar O cheiro dos cheiros com o cheiro a que cheira. Mas só Aquela mulher.
Os olhos não têm fundo, têm palavras.
Os teus olhos falam, acredita que falam, gritam, sussurram, suspiram, choram e sorriem e ainda contam segredos de fim de tarde.
Os tempos são tristes. Carregados. Pesados, como diz o meu irmão.
E no meio de tanta tristeza, há quem sorria e faça sorrir, para esses estará algo de bom para vir?
Para realçar o sabor de viver, acrescentam-se pitadas de momentos soltos, livres, de onde se retiram purificações de estados de alma, em pequenas histórias de valor acrescentado que aos olhos desatentos da frustração redundam em estupidez.
Não tem importância alguma, continuarei a sorrir de manhã à noite.
Salada de maturidade regada por um Quinta da Confiança à Lapa de 1983, acompanha uma guarnição de determinação e convicção no olhar, seguida de um soufflé de gestos certos nos momentos certos.
À sobremesa, um tarte de segurança e responsabilidade, com molho de consciência e coragem nas palavras.
Receitas? Não. 
São simples pratos, reza para que um dia tenhas a manifesta felicidade de apreciar uma sensação de requinte desta natureza.
Mas não esperes.
Saberás quando a tiveres na frente, a sensação de requinte, claro está. ‘Acaso terias outra coisa em mente?
Não é assim tão indiferente, mas, em frente…
Os passeios a pé nas noites de primavera são monólogos pedestres de elevado interesse artístico.
Pensa-se, observa-se, questiona-se, conclui-se, define-se, altera-se, pergunta-se, paras e recomeças, dás a volta, mãos nos bolsos, das calças, do casaco, com ou sem luvas, com ou sem frio, chove, adiantas o passo, ou não, cigarro na mão, trauteias uma canção, sorris, um bafo, sorris de novo, cá para fora, suspiras, avanças.
Do alto da rua observas o mundo a teus pés.
Analogias de prepotência disfarçada, ou simples estratégias de motivação? 
É qualquer coisa e ajuda, se ajuda… sentes-te capaz, não és mais um rapaz, vais, cresces, arriscas, petiscas, comes e bebes, tu és capaz e na verdade consegues, mereces, lutaste, tentaste, arriscaste, sangraste e não limpaste, continuaste e conseguiste, agora desce e vai para casa que está um barbeiro que não se pode, ’tás parvo ou quê? Tens com cada uma… ‘tas a olhar lá para baixo há 10 minutos, vais descer a rua à cambalhota? Qu’idiota.
O Amor é uma espécie de matrioska, com um número indefinido de “filhotes” lá dentro para cada um de nós.
Cada ser humano tem guardada algures a matrioska da sua própria vida amorosa.
A quem já tem a sua, segure-a, a quem a encontrou, viva-a, a quem ainda ouve chucalhar dentro da gorda, paciência, melhores dias virão com certeza, ou então, simplesmente um dia deixa de chucalhar, de procurar.
E há dias que mais parecem viagens no espaço e no tempo, tudo pára, tudo aquece e gela e torna a aquecer e tu sem perceber o que raio se está a passar, e quando percebes sorris e não queres ver a realidade, o tempo dá e tira e volta a dar, vive o que interessa, espera pelo que há-de te calhar, procura, não forces, respeita-te e respeita, torna-te responsável pela tua própria felicidade, escreve a tua própria “constituição”, legisla os parâmetros do que queres viver, porque PODES, efectivamente podes e deves fazê-lo! 
Vive caramba, vive!

Estás à espera de quê?
Da barriga e das férias na 1ª de Agosto, na mesma casa alugada dos últimos 20 anos? Dos programas de final de noite? Minha grandessíssima besta, tens vida que é coisa que muitos gostariam de ter, e deitas a tua para dentro do cesto da roupa suja todos os dias, estafermo.
Não mereces o ar que respiras, metes-me nojo.
Vives a vida de rojo.
No cambalear da embriaguez da paixão vive a alimentação do coração e a ração da alma.
Não tenhas pressa, não tenhas medo, tem calma.