Dá a mão a mim. Não foi sempre assim?

Leve e leviana é a pena, que reclama para si a mesma sagacidade dos mestres de espada em riste, sem saber de resto o que existe e deixa a alma serena.
Mas a poesia da vida é bem mais do que a intenção de brincar com as palavras, do que a dedicação às histórias passadas, do que sonhos em luares de cristal.
Os confrontos aparecem-me com a regularidade de um qualquer “bom dia”.
As provações sucedem-se à velocidade assustadora dos irreflectidos pestanejares, que à razão de 16 horas de olho aberto num dia, se aproximam dos 11500 piscares de olhos, é muita fruta e acima de tudo são provas a mais para uma pessoa só.
O sono foi-se novamente.
Fico sozinho, mas nunca indiferente ao que pensa a gente da gente que pensa por Ela.
Ao que pensa a gente, da gente que se vê da janela.
E é assim uma vista tão bela?
Não sei mais o que fazer.
Não sei de verdade.
Quero saber a idade da felicidade que insiste em me abandonar.
Quero saber a cidade, para onde esta se foi instalar.
Não há na vida mais nada, que a luz escura da noite cerrada, encantando os bosques da tristeza.
Não será por amor ou surpresa, que se mantém a vida acesa, apegada a aparas de cera.
São velas que apontam o caminho, o meu faz-se caminhando e sozinho, é noite, está frio e estou só, e de mim que ninguém tenha dó.
Levanto-me já cada vez menos, porque caminho já meio sem saber, erguido por pernas que tais, que tornam os meus passos banais, mostrando-me já cada vez menos.
Será que somos quem seremos?
Basta os olhos levantar, basta o beijo de um olhar, para poder alcançar tudo o que não tenho, e por entre os dedos frágeis deixo escorregar.
Não sei o que mais hei-de tentar, não sei com quem mais falar, não vejo, nem tão pouco consigo pensar, para onde me estás tu a levar?
Há dias em que quero acreditar, que um dia vais tu pensar, que tudo não chegou a passar de um capricho entregue ao teu tentar.
Não vejo o dia a chegar, não quero nem o posso forçar.
É tempo de ver o tempo que tenho.
Hummm, restam-me anos e anos de EXISTIR, não sabendo o que está para vir e não fazendo a mais pequena ideia do que está para me calhar. E a ti? E de ti? O que posso eu esperar?
Não sabes?
Não saber é fácil. Não saber é tão mais fácil.
Não saber é simples.
Não saber é… exactamente isso, não saber, nem de perto nem de longe se aproxima do NÃO QUERER SABER! 
Conceitos forçosamente distintos, mas ambos ávidos e famintos de resposta.
Tens uma? Tens mais do que uma?! Certíssimo. Ora então, podes começar a falar.
Dizes que não tens nada a explicar!? Que cómoda a expressão no teu olhar e eu sem conseguir sequer pensar.
Não sei mais o que hei-de inventar se à mente apenas me chegas em forma de sorrisos e alegria perene.
Se me olhas como pessoas que olham os quadros que querem entender e não conseguem, se me falas, não te calas, se ao dormir te deitas e pensas que sabes que sabes, mas no fundo talvez não saibas de todo, será este o mundo em que vivo? 
Será este o tempo, do Eu, Tu, Nós, Vós e Eles, e ainda os outros todos?
Para onde partem os olhos que olham para mim?
Para onde voam os sorrisos que sorriem assim?
Na dor se descobre calor em noites de Inverno.
Na flor se encostam os sonhos de um tempo mais que perfeito.
E a chuva que olha e não molha e sabe que sim, que o nome da rosa é em prosa e não em ouro ou marfim, que o pátio está molhado, o chão foi lavado com o suor do que sinto por ti. 
É tua a alma que se encosta em mim, estranho e confuso me deito, e sinto a tua mão no meu peito, e lá tento adormecer por fim.
Maria, Francisca, Joana, Afonso, Miguel e Inês, nomes do jeito que gostas, queres que os diga outra vez?
Digo o que sinto e estou preso, ao um, ao dois e ao três, mas não deixo nunca de dizer, que o amar soa tão melhor em português.
Sei que paras para pensar, se foi aqui que de facto quiseste chegar…
Direi o que tiver de dizer, só para te fazer perceber, que de facto estás a errar, mas quem sou eu afinal, porque falo eu destas coisas? O que me faz não deixar de acreditar?
Sei bem onde quero eu chegar.
Mas deixa-me
Mantenho-me imóvel. Assim talvez doa de uma forma mais ligeira.
Já sei onde queria chegar.
Parava para te aconselhar e dizia…
Sei o que a vida te está a tentar mostrar, não sei se sabes sequer o caminho que deves tu tomar, para poderes por fim encontrar o teu pedaço de firme chão.
Fecha os olhos.
Não tenhas medo. Eu estou aqui.  Estou sempre aqui. Para onde poderia eu ter ido?
Dá a mão a mim. Não foi sempre assim?
Foi e haverá de ser.
Porque a vida tem tanto para ver.
Porque não hei-de eu querer acordar?
Só quero poder caminhar, não só, mas por ti acompanhado.
Perdido mas contigo ao lado, sonhando um dia de cada vez.
É bonito e até um pouco burguês.
Mas não importa, é de facto como digo, tem bem mais encanto em português, será essa a língua que Deus fez, para que eu queira, e volte a querer, uma e outra e mais uma vez?

O que é na verdade!?

Contentamento descontente? Fogo que arde e não se sente? Seres alma e sangue e vida em mim, e dizê-lo cantando a toda a gente?
Quantas e quantas vezes me perco nas deambulações cáusticas da palavra, nas expressões desencontradas da racionalização do sentimento, ou nas intemporais buscas de razões ou vocábulos, que melhor definam o que é tantas vezes inexplicável, se não quase sempre, impossível de verbalizar.
Os caminhos são estradas sinuosas, cobertas de tudo o que são elementos de tempo e espaço.
As manhãs de nevoeiro, as tardes solarengas, as madrugadas quentes de borralho, as noites intermináveis de chuva forte e desmedida, que nos acerca e ensopa, e nos faz perceber que igualmente ensopada e cercada é tantas vezes, a própria vida.
Mas há caminho, há toda uma via rápida de incerteza que não deixa de ser igualmente sensitiva e deslumbrante.
Crescer é de facto uma maravilha aos pés de quem, descalço, se atreve a sair à rua.
Tão sabiamente alguém um dia escreveu, que dar de beber à dor é o melhor, e tem noites que sim, tem tarde que nem tanto, e manhãs em que é um pouco de qualquer coisa do género.
Aproximo-me das 04h00, sem saber para onde caminho, sei que vagueio aqui sentado, mais sereno, ligeiramente encostado, em pose altiva de conselheiro revivalista do passado a que me apego.
Dele não vivo, mas dele me sirvo, a ele sim dou eu de beber.
É nele que vive a réstia de amargura, que não teima mas perdura, sem saber onde se esconder.
Não te vejo, mas pressinto-te, sem o vinho eu não me minto, que de fugas se faz o sobrevivente.
Querer ser inteligente, passar ao lado, seguir em frente, mudar o ar, ser diferente, é pedir demais a quem não segue as estradas principais.
Na poesia sonora das ruas por onde passo, encontro de tudo um pouco, e em tudo, absolutamente nada.
No nada descubro porquês, descubro ainda mais, descubro-me a mim.
E é de mim que preciso.
A ti vejo-te tanto, como tão pouco sinto que o faço, sei bem o que te chamo, chamam-lhe amor ou chamem-me louco, por mim é apenas mais uma frase num pedaço.
Estranhamente desligamos uma parte do cérebro que nos permite manter o fiel, sempre necessário e de preferência conveniente raciocínio, quando nos apaixonamos, ou quando simplesmente assim estamos.
Não raramente sofre, não frequentemente sente, que é aquilo que mostra a toda gente, a alegria permanente, de quem sente o que mais ninguém desmente.
Viver é aprender, amar, errar e sofrer, é perceber, que no entanto, não há nada que não se tente, se é isso que deveras se sente.
Vida, mostra lá que não és pequena, que não enganas quem te ama, nem te mostras tão serena, que acalmas quem te chama, e que de facto vales a pena.