Cenas do meu casamento

Cenas do meu casamento

Tenho como missão tentar transmitir-vos alguma coisa que seja por si só minimamente entendível e desejavelmente palpável, encarregando-me assim de vos mostrar, da forma mais pura que conheço, um pouco daquilo que por estes dias me invade alegremente a alma. E a alma essa vai-se sentindo absoluta e estrondosamente radiante, com tudo aquilo que lhe vai sucedendo e sido oferecido com a delicadeza de sonhos em xailes de seda, sorrateiramente coberta pela permissividade atenta e benévola dos olhos gigantes do Criador que as guarda.
Não nos conhecemos assim há tanto tempo… embora pareça de facto que ela tenha sido pensada e amadurecida ao longo da sua vida para, algures pelo obstinado caminho, acabar por me encontrar por ali perdido, no destroçado deserto que compunha o carreiro desfeito das vidas de cada um de nós, e fazer aquilo que fez e faz por mim e para mim, que é, um pouco de quase Tudo.
Pode um homem com os tais dois dedo sde testa não casar com alguém assim? Claro que pode, mas seria tremendamente estúpido se não o fizesse.
Voltando ao caminho, o tal que se faz caminhando.
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Creio mesmo que comecei a conhecê-la somente depois de ela ter entrado, à força, na violência tremenda de uma tormenta brutal, hedionda, com a altura fantasmagórica de um gigantesco prédio de 1000 andares, que ensombra com a sua majestática imponência a existência de tudo o que inadvertivamente se atreve a rodeá-lo e ladeá-lo. Bem sei que não existe um prédio de 1000 andares, mas as palavras permitem-me pensar, dizer e acreditar que sim, pelo menos aqui, nesta história, que escrevo e dobro à minha caprichosa e apaixonada vontade.
Até mesmo Sua Majestadade, o Astro dos astros, se vê obrigado a rondá-lo para conseguir dar luz a alguém.
Foi vítima de uma perda irreparável. Sovada brutalmente e posteriormente embrutecida por uma queda absurda e desamparada desde o alto desse mesmo prédio, que de tão grande que era se desmanchou como se fosse feito de papel e nao de aço frio e morto. Não lhe resistiu e tombou por ali abaixo, caindo atrás dela.
Precipitou-se num amontoado sem forma, um remoínho de vidro, betão e aço amassado numa espécie de papel de embrulho desprezado e amachucado com o gosto com que se amachuca o papel de embrulho desprezado e amassado. Um amontado de uma altura bestial e que se destroça inadvertidamente sobre os minúsculos homenzinhos que lá em baixo fogem por onde podem, aterrados, incrédulos ao verem o descontrolo físico do gigante, com o comprimento de um milhão de intermináveis autoestradas, de montanhas encadeadas, de encostas escarpadas.
Sim, creio mesmo que foi por aí que a conheci.
Desde então que me coube e que me vai cabendo a difícil mas absolutamente mágica e apaixonante missão de a fazer crer que a vida era e é aqui, aqui mesmo, no chão irregular e calcetado dos nossos dias; na passadeira estendida que é a estrada encurvada e marreca de uma vida que se quer longa, forte, perene e sempre em conjunto, edificando-se na suficiente insuficiência da imperfeição de ambos que, trabalhada, lapidada, aceite e compreendida, daria e dará já dando, sem dúvida, uma história com páginas a menos e capítulos sempre em falta. Sempre em falta.
Aos 31 anos, vivo com Ela (refiro-me referir-me-ei sempre a Ela assim, com um maiúsculo e pomposo E, dos grandes e em bold, claro, porque apesar do seu adorável metro e pouco mais de meio de altura, a grandeza desta mulher é avassaldora e de uma envolvência e viciação que são absolutamente intraduzíveis até para quem escreve tanto assim e se julga capaz de dizer tudo com o aparentemente simples exercício de juntar letras para fazer palavras e palavras para fazer frases). Juntos há três anos.
Tinha ela 26 quando começou lentamente a erguer-se do chão. Espezinhada. Suja. De rastos. Com a roupa rasgada e escortinhada.
Aos 28 chega agora à idade com que se vai casar. Com ele. Comigo. Com tudo o que isso alegre e tristemente significa. Com uma vontade inderrubável e que carece de qualquer explicação ou justificação que não se encerre na simplicidade do amor que sentem um pelo outro, e que anseiam ver consumado e consubstanciado perante os olhos dos familiares e amigos que se vão juntar para os ver a fazê-lo, do único modo que creio ser possível fazê-lo. Perante Deus, perante a fé, perante a certeza de que o Homem, mesmo perante toda a sua própria e incomparável grandeza não quebrará os votos jurados e entregues ao Criador, que se encarregará de zelar pelos mesmos, os votos, que do resto tratamos e cuidamos nós. Contudo, porque a vida dos outros e as suas decisões me merecem todo o respeito, não tenho qualquer intenção de escsrnecer e criticar a opção que toma quem se decide a casar pelo “cívil” (que civilizados nem todos somos). Muito longe disso. As coisas existem porque as pessoas as pedem e a elas aderem, porque não temos de ser todos gomos de uma mesma laranja que a árvore tem laranjas que não acabam.

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Antes de mais o que verdadeiramente me apraz dizer é que acredito que o casamento é, só pode ser (ou assim deveria ser), apenas para quem verdadeiramente quer casar, para quem se quer comprometer com a mais longa relação a que o ser humano voluntariamente se propõe e se entrega acreditando que a mesma está destinada a conhecer o firmamento e a finitude da vida que um dia chegará sem avisar. Como ela chega sempre.
Quem não quer, não acredita, não está para isso, não se sente capaz, não se identifica, não se vê a, não concorda, ou acha que não significa absoluta e rigorosamente nada, que não passa de um papel pelo qual muito se paga, vale mais esquecer a ideia e viver feliz e alegre para sempre em regime de concubinato libertino que não merece críticas ou elogios. É o que é. As pessoas são o que são, como são e como querem ser. Penso assim, que pau que nasce tordo muito dificilmente se endireita. Ou seja, quem casa sem vontade muito dificilmente encontrará um dia a desejada e almejada felicidade. Em vez disso, castra-se a liberdade e proclama-se um futuro rodeado de tristeza ou mesmo com poucas hipóteses de o chegar sequer a ser.

E assim se muda a Estação

Sou do Verão e para o Verão. Do calor e para o calor, mesmo que isso signifique que passe os dias a transpirar das mãos como se tivesse panos amarelos a revestirem-me as patorras. Sou do sol, do mar, dos rios, das árvores com fruta, das ondas de calor no asfalto, do olhar interminável para o sol que se põe para lá deste ou daquele planalto. Das noites quentes. Dos passeios a pé, de carro, ou noutro transporte qualquer. Da Lua cheia como um balão que se larga para o ver subir alto, bem alto, mais alto, lá longe nos céus deste mundo. E por isso, por tudo isso e tanto mais, casar a 4 de Julho vai ser um princípio de Verão verdadeiramente inolvidável.

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Tenho 31 anos e estou irremediavelmente ansioso por casar contigo. Por poder usar, pela primeira vez na vida, um anel no dedo, grande, de ouro, simbólico, representativo da vontade que partilhamos, que me identifica como um homem comprometido com uma mulher a quem jurei amor eterno. Estou ansioso por garantir que vou ser teu para sempre, para a eternidade, pela vida fora e por ela adentro. Com todas as doçuras e agruras que isso implica e vai implicar. Mas, sobretudo, com uma inabalável certeza de que este é o caminho que quero fazer, descalço, se assim tiver de ser.

Quanto a nós, não se pode dizer que é uma daquelas histórias lindas e poeticamente idílicas, pintada a oléo sobre tela, numa abundância de amor interminável meu e dela, começada na pureza abundante e ainda virgem da infância.

Nem tão pouco uma promessa de amor eterno tão própria da adolescência ou até mesmo da saudosa meninice que, já ligeiramente distante e afastada, poderia tê-los juntado mas… não, também não, também não foi isso.
Há simplesmente um amor bem próprio de quem já sofreu (e muito) por amor, com o amor, pelo amor, a favor e contra ele, mas que continua a acreditar que só apoiando-se nele se pode efectivamente viver uma vida em plenitude e conseguir, no fundo, dar-lhe sentido, dar-lhe significado, dar-lhe razão e justificação para continuar a querer viver a vida bem vivida. Então pergunto: De que serve a vida sem o amor de alguém? De que vale a vida sem a possibilidade e o desafio de se construir um caminho com alguém que nos queira tanto como nós a/o queremos de volta? Não sei, mas deve andar próximo de não servir para coisa absolutamente nenhuma.

O objectivo deste texto não foi e não é, de todo, escrever mais um tratado sobre o noivado, ou um decreto sobre o matrimónio, nada disso, de coisas dessas estão o mundo e a Internet já cheios e com pouca paciência para mais devaneios.
Cheio de Manéis e Marias capazes, de muitas raparigas e rapazes, que se procuram sem falhas, sem deméritos, sem defeitos, com preceitos e despeitos e cheios de jeitos para fazer o que ainda não foi feito. Perfeito.
O que verdadeiramente pretendi fazer foi, de algum modo, explicar-vos aquilo que sente um tipo com 31 anos que se prepara para casar com uma mulher absolutamente maravilhosa, incrível, filha de Deuses talvez, igual a nenhuma outra, que gosta tanto ou mais dele do que ele gosta dela e que não se cansa de o dizer, de o mostrar, de o repetir, sem nunca se esgotar na doçura das palavras.

Devia ser assim tão simples a beleza bela e adorável de um acto tão simbólico e prazeroso como é o casamento. Mas não é. Não o é muitas vezes. Não é quando há doenças. Não o é quando há desavenças. Não o é quando há mentira e não é quando a própria alma já não se admira.
Amar é muitas vezes difícil porque é díficil gostar mais de alguém do que de nós próprios.
É difícil ganhar uma superior vontade de oferecer ao outro e não pensar em si, nele, em nós, no satisfazer da individual pretensão egoísta do próprio umbigo ao invés de pensar primeiramente no do/da companheiro(a) e nas suas necessidades, mimos, exigências e pecaminosos prazeres, lugares tão comuns do amor puro entre duas pessoas.
Pois é.

Vou casar e não podia estar mais feliz.
Vou casar no dia da Liberdade.
Vou casar e não foi porque Deus quis.
Vou casar inundado de felicidade.
Vou casar e os bebés não vêm de Paris.
Vou casar sabendo que vida é a mais linda cidade.

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Vamos casar sim e vamos ter meias no chão, porcaria no fogão e molas soltas no colchão.
Vamos ter a mesa da sala desarrumada, a loiça mal lavada, alguma roupa estragada, tingida, debotada, o frigorífico vazio, noites de calor e de frio, tardes de sol e fastio, discussões e desculpas, e tudo o que temos direito.
Toda a gente sabe que nenhum ser humano é perfeito por isso não o será também o casamento.
Mas acima de tudo vamos casar, sabendo que um tem o nome do outro a bater leve, forte e ciclicamente no peito, naquele delicado jeito de bater que os corações dos amantes encontram.
Não há outra forma de viver o amor que não com a totalidade das forças, com a plenitude da coragem e do arrojo, com a consciência por vezes inconsciente de que na verdade somos bem mais do que um bocadinho de gente.
Porque também há quem nem sequer tente e invente que no fundo todo o amor se faz da vontade da gente.
Sim, faz. Mas faz-se sobretudo de sentir, de pensar no que se sente e de viver, viver tão intensamente que não chega a ser preciso fingir o amor que deveras se sente.
Porque também será sempre, como disse o poeta, um contentamento descontente, uma ferida que dói, e não se sente.
Será chuva? Será gente? Gente não é, certamente, e a chuva não bate assim.
E falta já tão pouco para que se case a Ana com o Martim e o Martim com a Ana. Que um amor assim raramente se engana!

Pequeno ensaio sobre a… pequenez!

Alto mas não muito, Miguel é o tipo de pessoa que deseja ardentemente deixar de ser.
Magro mas não tanto, come mal e dorme pior, passa as noites acordado e os dias envolto numa profunda e funesta letargia que torna cada vez mais complicado distinguir entre os sonhos que tem e o mundo que conhece.
Tem noites em que acorda e julga que o que estava a sonhar é o real e o real confunde-o, em jeito de embriaguez, com os sonhos que tem.
Miguel vive e dorme sozinho, come e acorda de igual forma.
Arrasta-se para o trabalho.
No Metro não cruza ou descruza o olhar com absolutamente ninguém, vai de auscultadores nos ouvidos e de olhos semicerrados que têm como finalidade afastar seja quem for.
Tem pavor a qualquer forma de sociabilização por mais primária e inocente que seja.
É avesso a toda a espécie de convívios que não sejam tidos e mantidos sentado, deitado, em pé ou encostado, atrás de um ecrã e de um teclado.

Vive petrificado com medo de se apaixonar.

Na verdade chega a sentir-se irremediavelmente frustrado e intimamente amargurado por nunca se ter deliciado ou sequer tocado numa mulher.
Por nunca ter sentido o bafo quente e ofegante da luxúria feminina na jugular, por nunca ter tido as costas arranhadas por uma ou mesmo as duas mãos cheias de unhas pintadas.
Não sonha, pois nunca chega a perceber se dorme.
Não lê assim muito nem sai assim tanto.
Tem 28 anos e é órfão desde os 17, altura em que sozinho conheceu a força bruta da injustiça de uma vida.
Trabalha num centro comercial.
Secção de fruta e legumes de um conhecido hipermercado.
É aquele tipo de homem que só é reconhecido porque tem uma placa no peito que o identifica e, mesmo essa, já deixou teimosamente fugir a tinta e Miguel é agora MI UEL.
Não alimenta o sonho de casar, não ambiciona tamanho feito nem tão pouco se julga capaz de o alcançar. O forte de Miguel não é, não foi, nem será o acreditar.
Nem mesmo dentro do azul vivo e trepidante dos seus olhos entristecidos e conformados se acende a ilusão e o sonho do matrimónio.

Come sobretudo empacotados e congelados.
Entretém-se na internet e nem sequer tem uma televisão no apartamento, não lhe faz falta, diz, não quer saber de nada nem ninguém.
Vive perdido e não quer ser encontrado.
A exclusão é parte da equação.
A solidão espreita-o por entre o cortinado e Miguel já foi por Ela contratado.
Vai ser despedido do hipermercado.
Sozinho, isolado, despedido e… desesperado.
Será este o retrato moderno do homem abandonado? Será este arrastar de vida, vida para alguém?  Vivem-se tempos estranhos na verdade, muito estranhos e as pessoas acompanham cada vez mais a estranheza dos tempos! Para onde caminhamos?
Dizia, já não sei a quem, num destes dias, que tenho curiosidade em saber como vai ser o mundo daqui por 20 anos.
Isto porque não é mais o Homem que dita o avanço da vida mas a tecnologia que permite e controla o avanço do Homem.
Senhor Darwin, que lhe parece a si tudo isto? Hein?
Será lívida e eterna a insensatez? Tudo, e ao mesmo tempo tanto se assemelha ao eterno dilema da humana pequenez.
Queres que diga outra vez?

Ideal… Surreal

Surreal – Adjectivo uniforme. Que desafia as supostas leis do real. Absurdo. Bizarro. Onírico.
É. É capaz de até ser. Pode mesmo ser que seja, mas não é isso que o torna menor, inferior, simplista, ridículo ou mesmo, inexistente.
No caminho noctívago que diariamente percorro, e em particular nesta altura específica do ano, vejo as árvores chorarem desconsoladas, deixando cair as lágrimas coloridas que as revestem, no chão ingrato que as recebe e permite que estas escorram sabe lá Deus para onde.
É. Pode ser. Pode até ser que seja apenas dos meus olhos delirantes, da imaginação surrealista que me orgulho de ostentar, mas o que certo é que as árvores choram. Se os homens choram, os animais choram, porque não haverão de chorar as árvores?
Choram pois, e com razão.
Também eu choraria se fosse despido pela Natureza, com promessa intemporal de devolução da minha roupa, e fosse deixado ali, aqui, acolá, despido do que é meu, sozinho, numa revolta surda, que ninguém pode ouvir.
São surreais os sonhos, e surreais os desejos, mas são belos por demais aos olhos de quem os vê.
Na manhã, o acordar expõe a derradeira fragilidade das árvores, que teimam em resistir de pé, ao embaraço que a Natureza lhes provoca.
E não falo apenas das árvores, mas dos animais a quem o pêlo cai, dos homens a quem o cabelo foge, das senhoras a quem o mesmo a escova surripia. 
Outono, inverno, estações que têm o condão de enervar as gentes e encher-lhes os olhos de preocupação e tristeza.
Se é meu, porque mo tiram?
Soldados do acreditar, os sonhadores parecem seres indestrutíveis, que caiem, levantam-se, apanham, voltam a cair, a levantar e onde é que isto vai terminar? Em mais um sonho difícil de alcançar?
Possivelmente. Mas nem isso parece ser suficiente para os fazer parar.
Diz-se que sonhamos com as coisas em que pensamos antes de adormecer. 
É. Pode ser. Pode até ser. Será mesmo?
Quero pensar e adormecer, sem ter nada que temer, quero dizer a viva voz, sou maior que o que desejo. Ter coragem de querer, ter a força de viver, para ver o surreal, tomar forma e ser formado, por um ser que não tem parecer, uma força incansável, que me pega e me arrasta, me levanta e não diz BASTA, sou quem sou e sei que posso.
É. Pode ser, podia, mas não era a mesma coisa.
O que é o amanhã, se não a indefinição surrealista que criamos na mente, projectando desejos e espirais de acontecimentos que temos como certos, mas que no fundo, não são mais que muros limitadores da criatividade do artista?
Surrealista? Pois bem. Assim somos todos. Se não somos, devíamos ser, sabe-se lá onde esta vida quer ir buscar de beber.
Ser quem sou é tão pouco, para aquilo que quero ser.
Sei que tenho de sonhar mais, dormir menos, pensar mais, dizer palavras que façam pensar grandes e pequenos, é isso que quero procurar, digo quero porque neste momento, escrevo em folhas brancas, que não saem de onde as guardo.
Um dia falarei para que me escutem com atenção.
Sou sonhador e serei, trago o selo no coração.
Só caminho num pé, para o outro guardo o que calço, imaginando o que seria, se caminhasse toda a vida descalço.
Ao meu nome devo o que sou e a poucos outros o que me compõe, a ti devo a alma, essa que agora se acalma, com a solenidade do que lhe deste.
Claro que a ti te agradeço, foste surreal, imaginação, um real calor no coração, foste o céu e foste o chão, o estômago e o pulmão, e o nome, que guardou a pulsação.
É. Pode ser. Pode até ser que “Eles não sabem que o sonho, é uma constante da vida, tão concreta e definida, como outra coisa qualquer(…) é tela, é cor, é pincel(…) Porque sempre que o Homem sonha, o mundo pula e avança” por isso, deixa-os Senhor, que eles não sabem o que fazem.
Por isso insisto. É. Pode ser. Pode até ser. Mas eu vou sonhar. E tu, o que vais fazer?