Num ano, tu(do) muda(s)

Curiosa é a vida. E curiosa é a sua passagem por nós homens.
1 ano atrás, exactamente há 365 dias por esta hora, dormi na minha nova casa pela primeira vez.
Foi de facto um daqueles casos de paixão assoberbada, de encantamento imediato, que me conferiu a noção clara de que a minha vida iria mudar aqui dentro.
Nem eu, a casa e tão pouco a vida, sabíamos o que nos estava reservado, talvez a vida soubesse e não tenha querido dizer, é sempre melhor levar uma bofetada nas trombas ao invés de alguém te dizer, olha que levas uma bofetada nas trombas.
Tudo se precipita e se agita perante a possibilidade infinita de felicidade.
E quando a alma grita e clama por liberdade, que lhe fazes?
Corre!
Corre atrás do que é teu! Corre atrás da tua vida, não deixes que ela passe por ti a correr.
Num ano tu(do) muda(s), num ano tanto acontece.
Vamos então fazer contas:
Ora, se um ano, que se conta e mede (como se de altura e palavras estivéssemos a falar) em 365 dias, pode parecer uma eternidade, ao mesmo tempo, na diabólica realidade dos dias que atravessamos, onde trabalhamos em dias de loucos, em horários de maratonista e corremos pela vida fora, parando para perceber que temos um ano a mais quando recebemos todas as chamadas, mensagens, posts no facebook, que de facto acaba de passar mais um ano, e nesse ano, olha bem o quanto se passou.
Saí de casa, contente, alegre, feliz porque estava a dar um passo confiante e largo rumo ao meu futuro, à minha vida, entretanto tudo mudou. Qual olho do furacão, fui sacudido para lá e para cá, para cima e para baixo, de um e de outro lado, em vários lados, em vários sítios, caí, admito, caí redondo.
De facto senti-me como o Mini que é abalroado pelo camião cisterna com as suas 150 rodas e 300 milhões de quilos.
Mas… Nestas coisas há sempre um mas, porque a vida não é dia sim, dia não, a vida é aqui e agora.
Certo? É para ti é!
E ainda bem que apareces porque mais lá para a frente já tenho coisas para te dizer. Ou talvez deixe para mais logo.
=)
Mas deixa-te estar…
Sim, claro, quero!
Mas dizia eu que num ano tu(do) muda(s).
E mudas mesmo.
Em particular, se depois de saíres dos “cuidados intensivos“, voltares para o “pós-operatório” e não seres esperado por nada mais a não ser paredes, armários, palavras surdas, copos, garrafas, sim, muitas e muitas garrafas cheias, depois… jazidas junto aos pés, não da cama, os meus.
Cais ao chão e por lá ficas, é bom que fiques, julgo eu, mas admiro os que não saltam da cadeira.
Eu fiquei, no chão, e mesmo quando me levantei, fiz questão de garantir que os meus olhos por lá ficavam. 
Sabe Deus o que eles não encontraram, durante o tempo que por lá andaram.
E aí pensas, pensas, pensas e repensas e às tantas já nem sabes o que hás-de pensar ao certo, é incerto o rumo que vais seguir, mas segues, tens de o fazer.
Tornas-te mais forte, sólido, cru, puro, aprimoras e lapidas arestas que te fizeram mal e te fizeram falhar. Por certo não queres passar pelo mesmo sítio de onde acabaste de vir, mas se tiver de acontecer será inevitável, assim como é inevitável concluir, que quando olhas para trás, ao fim de algum tempo, claramente que o tempo desempenha o principal papel na reconstrução.
Pintas as paredes novamente, compras mobília nova, tiras o gesso das pernas, arrumas o quarto, a casa, trocas e baldrocas, sorrisos e caras larocas, saias havaianas e pernocas e de repente, encontras o que não procuras!
E pareces aquele cão, aquele pequeno cão que levou tantas no focinho que agora antes de se chegar junto de alguém, avança e recua vezes e vezes sem conta, porque tem medo de apanhar mais, por fim lá vais a medo, rabo entre as pernas, inseguro, mas vais!!!! 
E mudas muito, depois de um desgosto brutal a mudança é-lhe equivalente, mesmo que não seja exteriormente visível, dentro dos olhos, da cabeça e da alma, tudo é novo e requer calma.
Mas ao mesmo tempo, tens tanta vontade, tanta saudade, tanta liberdade e sobretudo tens o mais importante, toda uma vida à frente.
Nunca tenhas pena de quem não tens, tem pena de quem não te tem a ti!
Entre portas e janelas, fechadas ou entreabertas, com frestas de luz matinais que te inundam os anormais amanheceres frescos.
Estás na Lapa, tudo é fresquinho, bonito, super querido e fofo, e sei lá…
A ‘ssoa tem toda uma distinção, pe’favor.
E a imperatriz que não me larga o pulso, por Deus. Sim, é mesmo, não sai, nem tão pouco quer sair. Já viste isto? Amanhã vou lá outra vez…
E é isso.
Vives e descobres.
E é bom que o faças consciente do que estás a fazer.
Nunca me conheci como hoje me conheço, nunca me lembrei de mim como hoje me esqueço, mas sobretudo, não chegarei ao fim sem ter tentado, porque tenho a certeza que o caminho que sigo me levará ao melhor lado.
1 ano.
Tudo muda e tu mudas.
E falas e sorris e calas, respeitas e estás ali, é pois isso que esperam e te pedem, a ti!
Hoje, sou um… qualquer coisa orgulhoso.
Mais sereno e palavroso, menos estúpido e mais curioso.
Dizes que sou “furioso”, sim, sou e serei sempre assim, e sabes porquê?
Sou o Martim!
E a sou eu que passo pela a vida e a marco e não ela a mim.
Hoje tive de dizer a um homem de 56 anos (acho que é, penso, não sei, nunca pensei bem nisso, nunca o coloquei nessa categoria) que, “gostar só não chega, descobri isso aos 28 anos… e agora que tem exactamente o dobro da minha idade, ainda não percebeu isso, lamentável” e que dia este…
Por isso, concluindo, se num dia te pode acontecer tanto, mas tanto, mas tanto, que na tentativa de proteger, quando acordas, nunca sabes o que vais ver, ou dizer, multiplica todas essas ínfimas possibilidades por 365, e tenta perceber o que te pode acontecer em 365 dias de novo viver.
É loucura o simples pensar em tentar perceber.
Deixa-te levar, deixa-te andar, devagar, mas deixa, permite, deixa que o mundo te arrebite e te mostre como a vida é tão fantasticamente maravilhosa quanto aquilo que os teus olhos quiserem ver!
Sei do que falo quando falo em Amor, sei ao que vou quando saio de casa… Casa! =)
Desde o seu primeiro dia que acho e tenho a confiança plena que 2012 vai ser o ano da mudança, o ano da viragem, talvez um dos anos mais importantes da minha vida. E da tua também.
Mas, este método do “vives o hoje” e amanhã viverás também, sem qualquer messianismo freak ou carpe diemesco, simplesmente viver o amanhã acordando para ele num outro novo bom dia!
Gosto mais de ti assim.
Gosto mais deste Martim.
A SéRiO.. Muito a SéRio!
A vida não é mistério, é jogo de cintura!
Para vivê-la não dispenses a seriedade nem valentes doses de loucura e descompostura, seriedade e aventura, descoberta e frescura, sobretudo sem sequer pensares em quanto tempo dura.
Vive p’amor de Deus.
Não há nada que o tempo não sare, mesmo que nem sempre cure!

Nem tudo o que vemos é FEIO

Longe vão os tempos da inocência infantil, que faziam de nós, mais que simples Eus, seres capazes de sermos surpeendidos constantemente, pelas mais hilariantes e recambolescas histórias que nos eram contadas.
A Infância marca o período mais belo que o ser humano vive, no que diz respeito a tudo o que lhe passa pelos olhos.
Os olhos de uma criança visualizam coisas que nenhum outro ser humano tem a capacidade de conseguir ver.
Reside nesse olhar a capacidade fantástica da surpresa, a magnificiente falta de controle e de noção da realidade, que permite ao seu pequenino e inocente cérebro, descodificar mensagens que à partida podem vir carregadas de maldade, mas que perante os seus olhos, são apenas mais um bloco de imagens, que provocam sorrisos de espanto, de admiração, de fantasia, de sonho, de encanto, de felicidade e novidade, pois, o mundo que vêem, é exactamente aqule que lhes permite criar na mente as primeiras concepções de mundo, na verdadeira natureza dessa palavra.
Contudo, quando me atrevo a falar na natureza da palavra Mundo, acanho-me por constatar que de facto julgamos ter o domínio da sabedoria e da sapiência, e que podemos qualificar verbalmente tudo aquilo sob o qual colocamos o nosso olhar, mas no entanto, não somos mais que pequenas crianças, porque as imagens que já vimos e com as quais moldamos o nosso conhecimento, não deixam de ser obrigatoriamente, imagens que provocam sensações de forma tão básica e primária, quanto a que as crianças usam automaticamente, sendo que a diferença principal residirá, na capacidade que NÓS, pelo menos alguns de nós, temos de interpretar essas imagens, de as arrumar em gavetas semelhantes, onde já temos imagens parecidas, da mesma família.
Temos e DEVEMOS, acima de tudo, de ser crianças, de voltar a ser crianças, de recuperar essa vivacidade perdida, essa alegria contagiante, que faz os adultos sorrir, e dizer, é tão ingénuo, pois é, mas aprecia as coisas lindas da vida, ou melhor, para eles, quase tudo é belo, nada é Feio, a não ser os cócós dos cães, ou as amigas das avós.

hoje..

Hoje, vem sempre no seguimento descompassado do ontem, numa cadência enjoativa, que nos condena terminantemente a correr, vivendo a vida, que é bem diferente de viver a vida a correr.
Correr vivendo a vida, traduz-se essencialmente, num passar a vida a correr, mas vivendo mais propriamente a corrida do que a própria vida. Isto está errado, ou pelo menos deveria estar.
As pessoas nem se apercebem deste desporto mundial, que poderia mesmo ser apresentado como nova competição olímpica. Sei de fonte segura, que só não o é, porque não haveria mãos a medir pela competição feroz que desencadearia. Todos os praticantes das mais diferentes modalidades se aperceberiam da verdadeira dimensão do desporto proveta, e de imediato, desistiram das suas gloriosas (ou nem por isso) carreiras, para se alistarem nos quadros desta modalidade. Haveria assassinatos nas aldeias olímpicas, a máfia passaria para a competição mais depressa do que nos passa o vento pela cara, nas manhãs de Inverno.
Ora, deste modo temos então a noção, ou pelo menos deveríamos ter, de que não há, ainda, porque não faltará quem se lembre, de começar a comercializar isso na net daqui a uns anos, prolongamentos contratuais com o Senhor, para o prolongamento do tempo que podemos ter neste planeta. Por isso mesmo, é mais do que hora de realmente percebermos se andamos a correr vivendo a vida em simultâneo, ou se andamos a viver a vida a correr. Nenhum dos dois é bom, caso ainda não tenham percebido, mas esse é de facto, o ponto crucial da parvalheira sobre a qual acabo de dissertar. Abandonem as duas hipóteses correctas e transformem as vossas vidas. É difícil eu sei, acordar bem disposto, não nos enervarmos com os taxistas e com as mulheres e velhos no trânsito que temos de atravessar para chegarmos ao emprego, onde o patrão, que muitas vezes nem sabemos bem quem é, está sempre a ameaçar com cortes nas despesas e despedimentos colectivos, não saber o que havemos de almoçar, pedir uma Coca-Cola e levar com uma pepsi(a letra pequena é propositada, não se trata de desatenção do palerma que escreveu isto), chegar a casas e ter o marido, ou a mulher, a dar-nos um “chá preto” porque não fizemos a cama, não fomos levar o lixo, deixámos acabar o leite, não pagámos a luz, bla bla, tudo isto é complicado, eu sei, mas não é por correrem a ver passar a vida, ou por passarem a vida a correr, que isso vai aliviar a pressão. Nem tão pouco é por andarem com caras trancadas e de sorrisos no bolso, para dar de quando em vez, tal como fazemos com os elogios, as prendas, os carinhos, os abraços, os bom dia, boa tarde, boa noite e até amanhã, que a situação vai melhorar.
O que me dizes tu quanto a isto?